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Irrestauráveis:

“Aquilo que não pode ser restaurado, que não tem a capacidade de voltar ao que era antes.”

 

Um dia bom, uma lembrança, uma paisagem, a terra. 

A série de pintura irrestauráveis, ainda em andamento, é produzida a partir de tinta óleo e pó de argila sobre tela. Iniciada em 2025, é constituída por dimensões variadas.

Alternando camadas de tinta com terra de diferentes cores, é através de riscos e desenhos com ponta seca, que as pinturas anteriores vão aparecendo. Num processo semelhante à gravura, o pó de argila penetra nessas frestas e ranhuras, revelando mais uma vez camadas ocultas. 

Algumas das pinturas da série são feitas por cima de outros trabalhos mais antigos, soterrando-os para depois passar por um processo de escavação da própria pintura, que também podem remeter a imagens arqueológicas.

A proporção de terra/óleo, em alguns casos é ultrapassada, gerando tensão no suporte. Em algumas partes perde-se a aderência e caem, o que antes começou com um desenho de plantas acaba sugerindo paisagens, imagens de satélite ou geoglifos. Num jogo entre micro e macro, esses trabalhos transitam entre os gêneros da pintura: natureza morta, paisagem ou abstração.

Nessa combinação entre o pó de argila (terra) e o óleo de linhaça, diferentes texturas são possíveis, num processo extremamente experimental, surgem superfícies que podem remeter a couro, madeira, metal, rocha, pele ou um veludo. É a partir da vontade de subverter a matéria da tinta, de tencioná-la ao máximo, para criar outras possibilidades de textura, opacidades, e dizer, através da pintura, que tudo vem da terra e tudo a ela retorna.

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